Vontades e Desejos

4:56:00 da manhã


Às vezes eu quero bater, morder, rasgar, chutar, socar e roer. Encarar o espelho com os olhos ardendo com a súbita vontade de estrangular o pescoço no reflexo. Nada presta. Dá vontade de arrancar os cabelos, arranhar o rosto e desfigurar a imagem na tentativa de desentendiar a face que parece nunca mudar.
Às vezes eu quero chorar, berrar, soluçar e gritar. Me esconder em algum canto escuro onde vou me misturar ao silêncio e esquecer do tempo. Parece cena de filme ou fotografias góticas; um vestido cheio de rendas em tecido leve, cabelos longos e escuros derramados em algum gramado ou lago raso cujas as mínimas ondas levam as lágrimas que escorrem pelos lábios vermelhos.
Às vezes eu quero pular, correr, abraçar, fotografar, dançar e cantar. Me perder na alegria de algo esperado, sorrir bobamente com a surpresa de algo doce e gargalhar das mais idiotas piadas; me sentir criança.
Às vezes eu quero comer, lamber, chupar e beber. Acabar com um pote grande de sorvete dentro de uma piscina gelada; esticar as pernas no sofá apenas na companhia de uma garrafa d'água e uma panela de brigadeiro sem me sentir culpada pelos números a mais que verei na balança depois.
Às vezes eu quero beijar, seduzir, arranhar, apertar, morder, sugar e amar. Me perder nas imensidões de algo inexplicável, me alimentar dos sussurros, arrepiar com o calor e me encontrar no olhar sincero.
Às vezes eu quero sorrir, me acalmar, respirar, deixar o tempo passar. Ser cuidada como um bebê que mal sabe andar sozinho, como um filhotinho de gato que precisa de aconchego e mimo.
Eu sempre quero muita coisa...
Mas às vezes eu só preciso deitar, calar, sentir e fechar os olhos.

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