devaneios

Geração Coca-Cola?

6:05:00 da tarde


Ah, que saudade das minhas capinhas de cd e do meu discman! Será que alguém ainda lembra o que é isso? Aliás, será que alguém conhece isso?
Para quem tiver a minha faixa de idade com certeza vai lembrar do prazer de andar com aquela coisa redonda e enorme para um lado e para o outro, tirando uma onda ainda maior do que o aparelinho tão famoso da época. E como eu poderia esquecer da bolsinha cheia de cópias de todos os cds favoritos? Cópias sim! Acho que não sou a única que não tinha coragem de andar com os cds originais que eu comprava com tanto esforço pela rua. Afinal, cds arranham e daí era a tragédia!
É preciso admitir que os MP3s da vida facilitaram muito quanto a portabilidade; é bem melhor andar com um MP4 fininho que pode ser recarregado em qualquer computador do que com um discman que sempre trazia consigo uma bolsinha de cds e de pilhas. Não esqueça das pilhas!!!
A questão não é o aparelho em si, até porque eu sou uma das maiores adeptas de toda essa simplicidade tecnológica. Mas de algumas coisas eu sinto falta. Algumas coisas são mais bonitas fisicamente e significativamente.
É muito mais emocionante me matar juntando dinheiro e procurando aquele álbum tão perfeito da banda que eu mais admiro, muito mais bonito ter uma prateleira cheeeia de Cds e de LIVROS! Essa geração tão moderna também está detonando a beleza dos livros. Tudo é digitalizado e postado em PDF. Abri-se o arquivo em qualquer aparelho celular que tenha a plataforma necessária, ou então em um notebook mesmo, e aproveita-se todo o conteúdo frio e pálido daquele livro.
Que coisa mais sem graça e sem vida.
Nesse ponto eu sou careta sim! Adoro matar o tempo deitada na cama, desfrutando de uma boa música enquanto tento decorar a letra de cada canção pelo encarte tão bem feito; ou então apenas admirar as fotos e as figuras que sempre acompanham a fonte pequenininha.
Minha vida é marcada por livros grossos com páginas amareladas e o desejo intermitente de ter uma biblioteca cheia de tesouros literários ao meu alcance. E ilimitada!
Nada contra a tecnologia. Eu estou postando isso em um blog, não é verdade? Mas bytes de um computador não são tudo. Não podem ser tudo. São complementos

devaneios

Entender, às vezes, é questão de ponto de vista.

1:54:00 da tarde


Não é sempre que conseguimos algo de nosso desejo. Eu, por exemplo, passo por provações da vida constantemente, porque desejo é algo que não me falta.
Não sou promíscua, safada, tarada ou seja lá o que sua mente suja imaginou. Eu apenas tenho vontade de muita coisa.
Tá bom, eu confesso: promiscuidade não é pecado e todo ser humano tem, okay? Mas isso não significa que a palavra desejo expresse apenas a fome pela carne, pelo beijo e pelo toque sexual, sensual.
Tenho desejo de tempo, de cobiças materiais, de conhecimento, paz, felicidade... Mas hoje em dia todas as palavras que exprimem satisfação são levadas para o duplo sentido. Fala prazer gera risinhos e gemidos maldosos. E com certeza você está rindo com esse meu "gemidos maldosos" também, não é verdade?
Para os "mente-podre pobre" de plantão: gemido é apenas um barulho baixo provocado pela nossa voz que sai abafado na garganta.
Prazer é você se sentir bem com qualquer coisa, em qualquer momento. Gozar de algo é você sentir esse prazer elevado em algumas potências. Mas claro que ninguém pensa nisso, não é? A mente da sociedade é voltada para o sexo e para os benefícios da carne.
É duro fazer parte de algo assim quando não vejo o mundo dessa forma.
Tenho maneiras diferentes de expressar meu desejo, seja ele espiritual, material, sexual ou educacional. Só possuir essas maneiras diferentes eu já viro um bicho, né? Claro, porque noventa por cento da população só pensa "naquilo". Ou quando não pensa, dá um jeito de levar as coisas pro mal sentido.
É, tá aí outra coisa que eu não entendo. Por que "mal sentido" se todo mundo gosta da coisa? Tanto gosta que o mundo de algumas pessoas parecem girar apenas em torno do sexo. Por que algo que já é tão banalizado ainda é motivo de tabus, discussões e proibições?
Ah é! Esqueci que pegar um milhão de pessoas na balada e levar ao menos mil delas pra cama apenas por desejo físico (ou em busca daquela popularidade estúpida) é simplesmente normal e até "cool"! Assim como o cigarro também era uns anos atrás...
Ô educação! Dai letramento para as nossas crianças!

devaneios

Uma segunda vida, por favor.

6:32:00 da tarde


Juro que às vezes acho que uma vida é pouco. Muito pouco. Vinte e quatro horas por dia é inviável!
Como ler, estudar, escrever, namorar, dançar, cantar, pesquisar, produzir e dormir com tão pouco tempo, meu Deus?
Por que me deste um mundo tão rico de informação e cultura e um tempo tão curto para usurfruí-lo?!
Colégio, trabalho, relacionamentos que requerem atenção, livros, blogs, twitter, orkut, tumblr, e-mail, skoob...Nossa, onde eu estava mesmo?
Ah, sim! Reclamando do pouco tempo para por em prática todas as ideias descabidas e quiçá interessantes que eu tenho.
Ô vidinha difícil, viu!
Pra quê ter uma mente tão fértil e curiosa também? Adorar todos os prazeres culturais e querer sempre me enxer de conhecimento? Para ser chamada de metida depois? Ou de experiente, quem sabe... (risos)
Não sei de onde saiu essa personalidade complexa e cheia de vontades...

devaneios

Bloco do eu sozinha.

3:39:00 da tarde


Enquanto a bagunça rola lá fora eu me encontro deitada na cama, pensando sobre os meus sonhos e imaginando o meu futuro. Reflito sobre a vontade de estar em casa no momento em que 90% da população enfrenta um tempo abafado com chuva e nuvens negras no céu, apenas pelo prazer de estar expremido em algum bloco, trio elétrico ou sabe Deus o que mais.
Eu sou estranha. É o que todos dizem.
Em horas assim eu fico tentando achar lógica pra esse adjetivo.
Eu abro os olhos e encaro meu teto, sorrio com o papel de parede um tanto quanto infantil colado ao lado da minha cama.
Eu sou estranha.
Não gosto de romances passageiros e marcação de corpos humanos alheio por saliva, suor, mordidas ou gozo.
Não me rendo a modismos, não ouço o que todo mundo escuta e sempre tenho opinião pra tudo. Já ganhei um adjetivo curioso por ter essa qualidade. Sim, qualidade. Experiente, foi do que me chamaram. Curioso, mas engraçado e talvez até verdadeiro. Eu diria curiosa, interessada...Mas acho que não colocaria nessa palavra a minha vontade de tudo.
E do que me importaria estar no meio de tanta farra, bebidas, beijos sem o menor resquício de sentimento? O que isso me acrescentaria além de retirar um pouco da carga do meu tal famoso adjetivo?
Não consigo fingir. Eu sei qual é o meu lugar, sei como me sinto bem e, acima de tudo, sei respeitar a minha personalidade... o meu amor.
E que venham os próximos carnavais. Eu continuarei curtindo a folia do meu bloco individualista, rômantico, antigo, "velho", careta, estranho e tranquilo.