Livros Digitais versus Livros de Papel.

4:04:00 da tarde


Essa semana, passeando pelo feed do Facebook, vi compartilhada a reportagem de um escritor inglês que, em poucas palavras, dizia que as bibliotecas são algo ultrapassado e ainda propunha que se elas não se reinventassem, acompanhassem os avanços tecnológicos, deveriam ser fechadas. Obviamente eu não deixaria passar uma dessas e compartilhei em caps lock minha indignação com tal visão, mas infelizmente sabemos que ele não é o único a pensar assim, tanto que pouco tempo depois um colega de faculdade confessou estar preferindo essa onda de livros digitais e que só faz questão de comprar os clássicos. 
Comecei a imaginar então uma biblioteca de e-books: ou um grande computador central de onde qualquer exemplar poderia ser acessado, ou vários CDs, DVDs, pen drives e cartões de memória guardados sabe-se lá como! Parece uma biblioteca pra você? Pois é, nem pra mim. Tudo bem que no dicionário biblioteca é "1 Coleção de livros e documentos para consulta, estudo e leitura. 2 Edifício ou sala onde se guarda essa coleção.", o que não especifica o formato das obras. Mas será que teria o mesmo gostinho, o mesmo cheiro, a mesma beleza sem as encadernações? Sem as prateleiras lotadas de volumes com grossuras e tamanhos diferentes? Eu tenho certeza que não! 
Em 20 anos, li apenas um livro por uma tela (Fifty Shades Of Grey) e o fiz porque livros são caros e eu não confiava na qualidade do título ao ponto de dar R$40 em algo que tinha praticamente a certeza de que não ia gostar. Levando em consideração o quesito preço, os e-books não levam tanta vantagem assim. Claro que considerando a versão original e paga dos livros, não as versões que a gente encontra em PDF pra baixar por aí. Pra quem nunca prestou atenção, o mesmo "Cinquenta Tons de Cinza" em e-book é apenas cerca de R$7 mais barato que a versão em papel. 
O único ponto que não é tão discutível, entretanto é a praticidade do e-book. Principalmente quando se trata de livros para estudo, a versão digital se torna mais leve e mais acessível. Porééééém, o argumento mais usado para defender esse ponto pode facilmente ser questionado. Pra ler um arquivo desses você vai precisar de um aparelho que suporte a tecnologia e que não prejudique tanto a sua visão. Sendo que nem sempre você vai ter grana pra comprar um smartphone, um tablet, um Kobo, ou Kindle (leitores de e-books). Sem contar que todo aparelho descarrega e por ser "menor", é mais fácil de perdê-los, seja por descuido ou por furto (vamos combinar que - morando em cidade grande - ladrão nenhum vai querer levar seu livro, a não ser que ele esteja enfiado dentro de um iPad). Tudo isso já torna o livro digital nem tão acessível assim e ainda dificulta o empréstimo e as trocas. E como se não bastasse tudo isso, apenas alguns modelos de aparelhos próprios pra leitura digital têm o tratamento de tela adequado pra não prejudicar sua visão e pra que você não precise rolar um trilhão de vezes a página pra ler uma frase. Já nos livros "de verdade", a maioria das editoras usa papéis cada vez mais especiais que deixam a leitura mais confortável, assim como o tamanho das fontes.
Dito isso, eu ainda me recuso a acreditar que algumas pessoas estejam dispostas a abortar as texturas diferentes das capas, das páginas, o cheirinho do papel novo ou velho, a beleza estética e sentimental de uma estante cheia de livros enfileirados. 
Assim como a fotografia digital assassinou o gostoso hábito de sentar com os amigos pra rever as fotos, eu temo pelo dia em que as pessoas esquecerão o quão único é folhear as páginas de um livro e ter nele recordações pessoais. Se você chorar na tela de um iPad, ela se extinguirá com um passar de dedos, mas se uma lágrima cair com a morte de um personagem querido, seu livro ficará marcado com ela. Pense nisso.

Um beijo de uma viciada em livros que luta pela preservação das coisas boas da vida,
Tuane C.

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2 pitacos

  1. Oi! Olha, eu tenho mais de 800 livros baixados no meu pen drive, mas não é porque gosto, é por falta de dinheiro mesmo.
    Amo livros no papel, tenho ficha em 2 bibliotecas diferentes e as frequento constantemente, sempre peço livros de aniversário/natal/ano novo/ dia das crianças, e eu concordo com o seu ponto de vista, nenhum livro digital substitui um de verdade.
    Eu tenho muitos livros baixados porque não tenho dinheiro para ficar comprando,eu ainda dependo dos meus pais, eu acabei me acostumando com a tela do notebook mas ainda assim ela prejudicou minha visão.
    No fim, eu concordo com você, tanto que eu acabei imprimindo um livro e mandando encadernar certo vez.

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  2. Muito bacana seu relato, Geovanna! Sei como é depender dos pais. Hoje trabalho, mas mesmo assim fica difícil comprar todos os livros que queremos! São caros sim e eu também acho os preços absurdos. Acho que expressões artísticas em geral deveriam ser mais acessíveis, mas infelizmente ainda falta muito pra chegarmos lá!

    Obrigada pela participação, viu?
    Beijinhos

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