amor

Plano de ação 2014 - Parte I

3:51:00 da tarde

 Vou te contar o que aconteceu com a gente, meu bem. É fácil e simples de compreender mesmo depois de tantas voltas e incertezas. 
É que eu cansei. 
Sim. Apenas cansei. 
Cansei de não poder sonhar, fazer planos. Cansei de te olhar de longe, observar seu sorriso em silêncio e não poder te dizer o quanto eu gosto do som da sua risada e de como acho fofo o jeito que você pisca enquanto ri. Cansei de repetir toda noite, como uma espécie de mantra, que era tudo apenas uma brincadeira e que você é completamente maluco. Cansei de procurar explicação pro seu excesso de atenção comigo e de me policiar para não acostumar com o seu carinho. Cansei de olhar as suas fotos e não suspirar, não querer levar uma comigo para qualquer lugar. Tudo isso porque eu não sabia o que sentir por você. Cansei de não poder me apegar, independente de querer ou não fazer isso. Quando a briga é comigo, é sempre mais fácil. 
Eu simplesmente cansei de não poder te ligar, te mandar uma mensagem e de precisar me policiar em todo e qualquer movimento. Cansei dessa história cheia de pontos de interrogação e espaços. Cansei de achar que um dia entenderia tudo, sabendo que jamais encontraria uma explicação sincera. Cansei de saber que, enquanto você me transformava em mais um dos seus erros e se justificava no pensamento machista de ser homem, eu ficava aqui, cheia de caraminholas na cabeça, saudades no corpo e machucados no coração.

Assuntos Literários

Nem tão melhor escrito do que 50 Tons de Cinza :: Profundamente Sua

8:05:00 da manhã


Decepcionante! É apenas essa a palavra que descreve as 250 páginas do segundo volume da Série Crossfire, escrita por Sylvia Day.

Depois que resolvem continuar o relacionamento, mesmo com todos os traumas e perigos, Eva Tramell e Gideon Cross passam por várias turbulências sem sentido e por um mela-calcinha desmedido. A cada dez páginas a autora faz questão de lembrar o leitor de que o casal se ama, mas que a resistência de Gideon em se abrir com Eva acabará com a relação dos dois. Os pensamentos de Eva são extremamente repetitivos e as ações do "moreno perigoso" cada vez mais difíceis de entender. O pior de tudo é que se passam quase cem páginas para que alguma coisa comece a acontecer de fato, e quando você acha que a história finalmente vai andar, aparecem mais cem páginas de pura enrolação banhada em carência, só pra mostrar que a bonitona precisa confiar mais no seu gostosão enquanto ele resiste em contar seus problemas passados e atuais para ela. 
De forma meio confusa, Sylvia Day narra a busca de Eva pelas verdades sobre o dono das empresas Cross, demonstra o amor e a obsessão dele pela mocinha e traz à tona o grande vilão do passado de Eva (Nathan) e também o seu relacionamento cheio de luxúria com o vocalista de uma banda de rock nada atraente - pelo menos aos meus olhos.

Eu nem tenho muito o que escrever sobre esse livro, apenas preciso enfatizar que foi extremamente decepcionante ver uma escrita boa se transformar em algo tedioso e cansativo. E já que desde o início eu faço uma comparação explícita com a obra de E.L. James, é necessário deixar claro que, por mais ingênuo(?) que seja, Cinquenta Tons de Cinza consegue te prender pela curiosidade e tem uma certa emoção, mesmo que seja incompreensível a existência da Deusa Interior e das idiotices cometidas por Anastasia.

Profundamente Sua poderia ser resumido em cinquenta páginas, assim como pode ser classificado com apenas 3 estrelinhas no Skoob, porque tirando toda a enrolação e a falta de inovação no cotidiano do casal (principalmente nas cenas de sexo), o pouco andamento da história fez sentido.

Um beijo de uma leitora que procura desesperadamente um livro arrebatador. 

Eu não sei e ninguém sabe.

8:17:00 da tarde

 Descobri, com aquele nó teimoso na garganta, que pior do que amar e não ser correspondido é não saber o que se está sentindo. Pior do que chorar noites inteiras e morrer de ciúmes até do travesseiro que está acomodando aqueles fios tão gostosos de puxar, é não saber bem o motivo das lágrimas que molham a sua própria fronha. Pior do que saber que ele jamais será seu, seja por qual razão for, é não querer que ele esteja com você e também não estar satisfeita por ele simplesmente te esquecer. É terrivelmente mais doloroso se perguntar porque esse bendito nó não sai da sua garganta e nem imaginar a resposta, do que saber que você está terrivelmente apaixonada por uma pessoa que caga e anda pra sua existência. É mais difícil aguentar a indiferença que acaba por sempre se importar com alguma coisa, do que ter que catar os cacos do seu coração partido. É difícil andar no escuro quando não se faz a menor ideia de onde os móveis estão, quando ninguém sabe quem os colocou ali e qual o critério usado.
Quem nunca tentou montar um quebra-cabeça e se pegou paralisado de surpresa e completamente lotado de dúvidas ao olhar a imagem que deveria se formar e descobrir que não era o que estava imaginando? E eu tenho certeza que as coisas pareciam claras em vários momentos, mas ao ver que peças estavam perdidas tudo ficou extremamente confuso. Seriam flores ali na pintura? Ou será que apenas borrões? Facas? Manchas de sangue no lugar de lindas rosas vermelhas? 
O problema é não saber, não entender, não compreender e não achar sentido nem nas respostas mais negativas. Claro. Até as negativas devem ser consideradas. Afinal de contas, de mocinha romântica eu tenho apenas os sonhos e um pedacinho remendado de coração. Mas se nem as piores hipóteses chegam a fazer algum sentido, no quê acreditar? 
Se já tentei esquecer e seguir em frente? Mas não há pergunta mais óbvia de resposta afirmativa! E funciona, de certo modo, a cada dia. Porém há sempre aquele nó na garganta, que vai diminuindo aos pouquinhos, e que sempre volta pra me atormentar de interrogações e não me deixar com outra reação a não ser derramar fluidos e permanecer perdida, sem respostas, sem entender, sem compreender.
Eu sei que não era amor. E pior do que não ser amor é nem imaginar do que se tratava.