Eu não sei e ninguém sabe.

8:17:00 da tarde

 Descobri, com aquele nó teimoso na garganta, que pior do que amar e não ser correspondido é não saber o que se está sentindo. Pior do que chorar noites inteiras e morrer de ciúmes até do travesseiro que está acomodando aqueles fios tão gostosos de puxar, é não saber bem o motivo das lágrimas que molham a sua própria fronha. Pior do que saber que ele jamais será seu, seja por qual razão for, é não querer que ele esteja com você e também não estar satisfeita por ele simplesmente te esquecer. É terrivelmente mais doloroso se perguntar porque esse bendito nó não sai da sua garganta e nem imaginar a resposta, do que saber que você está terrivelmente apaixonada por uma pessoa que caga e anda pra sua existência. É mais difícil aguentar a indiferença que acaba por sempre se importar com alguma coisa, do que ter que catar os cacos do seu coração partido. É difícil andar no escuro quando não se faz a menor ideia de onde os móveis estão, quando ninguém sabe quem os colocou ali e qual o critério usado.
Quem nunca tentou montar um quebra-cabeça e se pegou paralisado de surpresa e completamente lotado de dúvidas ao olhar a imagem que deveria se formar e descobrir que não era o que estava imaginando? E eu tenho certeza que as coisas pareciam claras em vários momentos, mas ao ver que peças estavam perdidas tudo ficou extremamente confuso. Seriam flores ali na pintura? Ou será que apenas borrões? Facas? Manchas de sangue no lugar de lindas rosas vermelhas? 
O problema é não saber, não entender, não compreender e não achar sentido nem nas respostas mais negativas. Claro. Até as negativas devem ser consideradas. Afinal de contas, de mocinha romântica eu tenho apenas os sonhos e um pedacinho remendado de coração. Mas se nem as piores hipóteses chegam a fazer algum sentido, no quê acreditar? 
Se já tentei esquecer e seguir em frente? Mas não há pergunta mais óbvia de resposta afirmativa! E funciona, de certo modo, a cada dia. Porém há sempre aquele nó na garganta, que vai diminuindo aos pouquinhos, e que sempre volta pra me atormentar de interrogações e não me deixar com outra reação a não ser derramar fluidos e permanecer perdida, sem respostas, sem entender, sem compreender.
Eu sei que não era amor. E pior do que não ser amor é nem imaginar do que se tratava.

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